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,16/07/2024

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Nadeshiko Sakkā

Nadeshiko Sakkā #01 - O Êxodo de jogadoras japonesas

Apresentaremos mensalmente os assuntos mais relevantes relacionados ao futebol japonês feminino. No tópico dessa semana trabalhamos com uma ideia de êxodo das jogadoras nipônicas em direção ao velho continente, mais especificamente, para o futebol inglês


Nadeshiko Sakkā #01 - O Êxodo de jogadoras japonesas Foto: Kyodo (The Japan Times)

No dia 03 de junho de 2020 foi fundada a WE League, primeira liga profissional de futebol feminino no Japão.O torneio foi criado em um movimento mundial no aumento dapopularização do futebol praticado por mulheres, o que elevou o nível decompetitividade e profissionalismo em vários cantos do planeta.

Oobjetivo da criação da WE League, além de dar uma maior segurança eperspectiva para as mulheres japonesas em enxergar o futebol como sendoum mercado de trabalho viável, é melhorar o processo de formação dessasatletas com o intuito de uma volta ao protagonismo de um futebol feminino vencedor. A conquista da Copa do Mundo de 2011é um marco histórico para o futebol japonês, porém é necessáriocontextualizarmos o quanto o futebol feminino evoluiu nessa últimadécada e como, em certo sentido, países não localizados na Europaacabaram perdendo protagonismo no jogo, sempre realçando Estados Unidoscomo um desvio padrão a essa conjuntura.

Nesse novo contexto de criação de uma liga profissional foi observado que no ano de 2022,em uma convocação para jogos amistosos contra Sérvia e Finlândia no mêsde junho, 17 das 23 jogadoras convocadas para a seleção nipônica disputaram a WE League do mesmo ano. Nesse contexto, agora um ano mais tarde, a convocação da Nadeshiko Japan para a Copa do Mundo contava com 14 atletas jogando na liga japonesa,o que já demonstrava um pouco uma mudança na fotografia da seleção, ouseja, jogadoras que estavam se destacando na WE League estavam saindo dopaís com o objetivo de brilhar, principalmente, em solo europeu.

A última convocação da seleção nacional ocorreu para os dois amistosos disputados contra o Brasil nesse último mês de dezembroe já mostra que o número de “estrangeiras” é praticamente o mesmo doque as “jogadoras locais”. Entre as jogadoras convocadas temos apenas12 jogadoras atuando em solo japonês, sendo 10 delas (três goleiras) naWE League (as duas outras jogadoras eram jovens que atuam na Academiada Federação Japonesa de Futebol).

Entreas “estrangeiras” temos jogadoras que atuam nos Estados Unidos, porém agrande maioria atua em solo europeu, assim como a consolidada capitã daNadeshiko Japan, Saki Kumagai, agora na Roma. Entretanto, o quechama atenção é o elevado número de jovens jogadoras japonesas nessesclubes. No total temos 10, sendo elas:


Risa Shimizu (27 anos) – West Ham United (ING)


Moeka Minami (25 anos) – Roma (ITA)


Saki Kumagai (33 anos) – Roma (ITA)


Hina Sugita (26 anos) – Portland Thorns (EUA)


Hinata Miyazawa (24 anos) – Manchester United (ING)


Fuka Nagano (24 anos) – Liverpool (ING)


Jun Endo (23 anos) – Angel City FC (EUA)


Yui Hasegawa (26 anos) – Manchester City (ING)


Honoka Hayashi (25 anos) – West Ham United (ING)


Riko Ueki (24 anos) – West Ham United (ING)


Aome deparar com os nomes e nomenclaturas dos times, duas coisas me chamammuita atenção: O primeiro é o fato de que boa parte das jogadoras escolheu a Inglaterra como porta de entrada de sua carreira na Europa, o que demonstra, assim como a Premier League, no caso do futebol masculino, a força financeira e poder de atração desses clubes.

Osegundo ponto que me desperta interesse são os nomes e suas idades, jáque são jogadoras que tiveram muito sucesso na WE League sendo muito jovens e consolidas em um contexto de disputa local. Apesar dessa consolidação, essas atletas preferiram dar um salto em suas carreiras em termos de competitividade, o que demonstra a ambição profissional.

Esseé a grande questão dessa primeira coluna relacionada ao futebol japonêsfeminino, visto que a seleção nacional fez uma boa Copa do Mundo no anopassado, porém faltaram detalhes para um resultado mais satisfatório. Essespequenos ajustes podem estar (ou não) relacionados com o fato de que os confrontos na liga local são, hoje, insuficientes para uma boa preparação individual das atletas com o intuito de voltar ao protagonismo do futebol mundial.

Em outras palavras, asjogadoras japonesas necessitam de um maior enfrentamento diário (jogos,treinos, convívio) com o que hoje é a elite do futebol feminino mundial.Se esse êxodo de jogadoras japonesas para a Europa irá refletir a umamelhora na performance da Nadeshiko Japan é algo que só o futuro dirá. Para todos os adeptos do futebol japonês, em especial das profissionais da We League, a expectativa é de um futuro brilhante para uma geração promissora e que, cada vez mais revelará talentos em sua liga profissional.



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