Seja bem-vindo
,16/07/2024

  • A +
  • A -
Publicidade

COM AS BENÇÃOS DE FUJIN, O URAWA É TRI!

O gol contra de Carrillo garantiu a vitória e o título da AFC Champions para os japoneses


COM AS BENÇÃOS DE FUJIN, O URAWA É TRI!

O Urawa Red Diamonds venceu o Al-Hilal no Saitama 2002 Stadium, por 1 a 0. O gol contra do peruano Carrillo garantiu o resultado e o terceiro título da AFC Champions League na história dos japoneses de Saitama. Depois de esperar quase um ano inteiro para jogar a decisão, pode se dizer que a taça veio com uma ajuda ‘divina’. 

Quando os mongóis invadiram as ilhas japonesas em 1274, foram repelidos pelos samurais na lendária batalha da baía de Hakata e decidiram recuar de volta para a península coreana, mas foram dizimados por uma tempestade fortíssima que atingiu o mar do Japão. 

Em 1275, na segunda invasão mongol, a mesma história; os invasores foram repelidos pelos samurais, recuaram e foram destruídos pelos fortes ventos do mar. Ali foi criado o termo ‘Kamikaze’, ou ‘Vento Divino’, uma benção de Fujin (o deus xintoísta dos ventos) que salvou o Japão por duas vezes. 

O termo ficou marcado negativamente pelos aviões suicidas japoneses durante a segunda guerra mundial e até hoje é utilizado de forma pejorativa como forma de definir alguma atitude onde ‘se arrisca tudo’ e usa-se uma estratégia ‘suicida’.

No dia 6 de maio de 2023, o deus dos ventos deu as caras para ‘ajudar’ o Japão mais uma vez. Os ventos de Saitama foram a principal arma do Urawa Red Diamonds para garantir a taça da AFC Champions League pela terceira vez na história do clube.



Maciej Skorza repetiu a equipe que iniciou a partida de ida, em Riad, enquanto Ramon Diaz fez três alterações colocando Al-Hamdan na vaga do suspenso Al-Dawsari, Otayf no lugar de Salman e o peruano André Carrillo no lugar de Marega. 

A partida de Saitama iniciou como a de Riad, com o Al-Hilal controlando as ações ofensivas, mantendo a posse da bola, mas sem muita pontaria. O ataque parecia sem criatividade, mesmo com a presença de Carrillo mais centralizado. 

Michael, o melhor jogador da equipe saudita, tentava buscar os espaços, mas batia na dobradinha pela esquerda com Akimoto e Sekine. Antes do fim dos 45 minutos o brasileiro já caía mais pelo centro. 

Embora tenha tido mais espaços, o ex-Flamengo ainda tinha marcação pesada, se revezavam na marcação Iwao, Ito, Hoibraten e Scholz. A única forma de agredir o Urawa era com uma jogada individual ou um chute de longe. E Carrillo bem que tentou, mas ali apareceu Shusaku Nishikawa para se agigantar ainda mais. 

O primeiro tempo foi assim, com o Urawa retraído, dentro de sua proposta de marcar. Fazendo duas linhas de 4 e pressionando dentro do campo de defesa, com Michael sem espaços e com os zagueiros Jang e Al-Boelahi, precisando fazer a saída de jogo. 

Mas ficou tudo no 0 a 0, o que dava o título aos Reds, ou seja, o Al-Hilal precisaria arriscar ainda mais no segundo tempo.


Segundo tempo de mais Urawa


E não é que foi tudo ao contrário? Os sauditas voltaram muito mal do vestiário e passaram a ser dominados pelos japoneses. A posse de bola, que chegou a 73% favorável ao Al-Hilal na primeira etapa, se tornou 54% favorável ao Urawa. O time de Ramon Diaz não conseguia mais ficar com a bola, os comandados de Skorza conseguiam espaços livres para a troca de passes e, quando perdiam a bola, pressionavam e logo recuperavam a posse. 

Nesse contexto surge uma falta de longa distancia para o Urawa, o levantamento é feito por Sekine para o norueguês Marius Hoibraten jogar para o gol. A bola ainda foi empurrada para dentro por Carrillo e o gol foi considerado como gol contra do peruano. 

A partir daí, o Al-Hilal precisava de dois gols para levar o penta e uma bola ne rede para levar para a prorrogação. Michael começou a cair pelo lado direito do Urawa, mas não contava com a marcação INFALÍVEL de Hiroki Sakai. O veterano lateral japonês não deu espaço ao brasileiro. 

Se Sakai garantiu que Michael não ameaçasse tanto do Urawa, o Red Diamonds viu o nascimento de uma lenda quando Ighalo recebeu com pouca marcação e com visão limpa, mas Shusaku Nishikawa se agigantou na frente do camisa 9 saudita. Se os samurais repeliram os ataques mongóis no século XIII, Nishikawa defendeu o Japão do ataque saudita. 

Quando citei o deus Fujin e os ‘Kamikaze’ foi por um bom motivo. O vento em Saitama estava muito forte e apontando para o lado para onde o Urawa atacou nos 45 minutos finais. O Al-Hilal teve um vento mais fraco a seu favor no primeiro tempo, mas não aproveitou. A bola de Sekine para Hoibraten ganhou velocidade, enquanto as bolas lançadas por Al-Mayouf, Jang e os outros defensores, perdiam força e não passavam do meio. 

O vento foi o 13° jogador do Urawa (o 12° foi a torcida), parecia que Fujin do alto do Monte Fuji, originalmente citado como a morada dos deuses xintoístas, estava olhando e dando suas bênçãos ao Urawa Red Diamonds. 

No final do jogo, Kante Martinez ainda conseguiu enrolar por 3 dos 4 minutos de acréscimo prometidos pela arbitragem, que não descontou mais do que isso, encerrando a final pontualmente aos 94 minutos de jogo e consagrando o Urawa como tricampeão asiático de futebol. 

Sakai ainda foi coroado com o prêmio de MVP do torneio, mas ninguém pode tirar o heroísmo de Nishikawa e a defesa no chute de Ighalo. Se Fujin abençoou o Saitama 2002 com os ventos favoráveis, Shusaku Nishikawa por vezes se equiparou a uma divindade no gol vermelho. Se qualquer coisa, ou pessoa, pode se tornar um Kami, ou ‘deus’, no xintoísmo, para o torcedor do Urawa, Shusaku Nishikawa é, a partir de hoje, o Kami dos goleiros




COMENTÁRIOS

Buscar

Alterar Local

Anuncie Aqui

Escolha abaixo onde deseja anunciar.

Efetue o Login

Recuperar Senha

Baixe o Nosso Aplicativo!

Tenha todas as novidades na palma da sua mão.